O que acontece quando se segue o rasto documental?
Quando pensamos no impacto ambiental dos ensaios clínicos, tendemos frequentemente a concentrar-nos nos resíduos laboratoriais, nas emissões decorrentes do transporte ou nos processos que consomem muita energia. No entanto, há um fator importante que é frequentemente ignorado: o papel. Apesar da rápida transformação digital no setor da saúde, a maioria dos ensaios clínicos continua a depender de pastas de papel, nas quais os centros documentam manualmente os dados dos doentes antes de os transcreverem para um sistema de captura eletrónica de dados (EDC).
Para dar resposta a este processo, os centros de investigação criam fichas de trabalho em papel para estruturar a recolha de dados de acordo com os requisitos do protocolo. Estas pastas vão crescendo ao longo do estudo, acumulando centenas ou mesmo milhares de páginas por ensaio. Quando o estudo termina, estes documentos são arquivados durante anos, ocupando espaço nas instalações de armazenamento e servindo pouco mais do que para cumprir os requisitos regulamentares. A documentação em papel não se limita apenas à introdução de dados — permanece durante anos, gerando custos de armazenamento, gestão e, por fim, eliminação.
A dimensão do consumo de papel nos ensaios clínicos
Se considerarmos apenas as 30 maiores empresas farmacêuticas, cada uma das quais realizou, em média, 23 ensaios por ano nos últimos 20 anos, a enorme dimensão do consumo de papel torna-se impossível de ignorar. Os estudos de grande escala geram pelo menos 225 000 páginas por ensaio, enquanto os estudos de média dimensão produzem normalmente 80 000 páginas ou mais. Multiplicando isso por toda a indústria, os ensaios clínicos estão a consumir uma quantidade extraordinária de papel — a maior parte do qual ficará armazenada muito tempo depois de o estudo estarconcluído¹.
Para contextualizar:
- Nos últimos 20 anos, foram abatidas mais de 200 000 árvores apenas para sustentar os ensaios clínicos em papel².
- Essas árvores, se tivessem sido preservadas, poderiam ter absorvido 9,6 milhões de libras de CO₂ por ano, o que equivale a retirar 850 carros das estradasanualmente³.
- Teriam fornecido oxigénio a 400 000 pessoas por ano, aproximadamente a população de Miami,na Flórida⁴.
- Podiam ter filtrado 20 milhões de galões de água por ano, o suficiente para encher 30piscinas olímpicas⁵.
O impacto devastador da desflorestação
Para além do impacto ambiental, o abate de 200 000 árvores levou à deslocação de 400 000 a 1 milhão de animais dos seushabitats naturais⁶. Muitas destas espécies dependem de florestas densas para se abrigarem, se alimentarem e sobreviverem. Estudos sugerem que pelo menos 50% dos animais deslocados não sobrevivem, o que significa que provavelmente morreram entre 200 000 e 500 000 animais devido à destruição do habitat — tudo por causa de pastas de papel que muitas vezes acabam emarmazenamento de longoprazo⁷. E isto representa apenas as 30 maiores empresas farmacêuticas — quando se considera toda a indústria, o verdadeiro impacto é ainda maior.
A verdade irónica: os ensaios clínicos em papel custam mais
O que torna tudo isto ainda mais frustrante? Realizar um ensaio no Central eSource é, na verdade, mais barato do que utilizar papel. Os centros dedicam menos tempo à documentação, os custos de monitorização diminuem e os estudos decorrem de forma mais eficiente. Os patrocinadores e as CROs não estão apenas a desperdiçar árvores — estão a desperdiçar dinheiro.
O Futuro dos Ensaios Clínicos
Com a monitorização baseada no risco, a análise de dados impulsionada pela IA e a automatização a transformar a investigação clínica, é hora de deixar o papel para trás. O Central eSource garante a integridade dos dados, reduz as ineficiências e elimina os impactos ambientais desnecessários.
Para os patrocinadores e as CROs que ainda dependem do papel, é chegado o momento de agir. Porque, no fim de contas, um estudo deve deixar um impacto duradouro na medicina — e não no ambiente.
Fontes
- Centro Tufts para o Estudo do Desenvolvimento de Medicamentos: https://csdd.tufts.edu
- Rede de Documentação Ambiental (EPN): https://environmentalpaper.org
- Serviço Florestal do USDA (sequestro de carbono) e EPA (emissões de veículos): https://www.fs.usda.gov, https://www.epa.gov
- Fundação Arbor Day (produção de oxigénio por árvore): https://www.arborday.org
- TreePeople & American Forests (filtragem de água): https://www.treepeople.org, https://www.americanforests.org
- Fundo Mundial para a Natureza (WWF) sobre a desflorestação e o deslocamento de animais: https://www.worldwildlife.org
- IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza: https://www.iucn.org