Para aumentar a diversidade nos ensaios clínicos, é importante incluir as vozes de diversas comunidades e grupos. Para esta publicação no blogue, Stefanie Palmer, colaboradora da CRIO, conversou com o Dr. Hadi Danawi sobre o envolvimento da comunidade árabe-americana e de pessoas de origem do Médio Oriente na investigação clínica.
Quem é o Dr. Hadi Danawi?
O Dr. Danawi concluiu o doutoramento em Epidemiologia em 2001 na Escola de Saúde Pública de Houston, no Texas. Trabalhou na Johnson & Johnson na área da farmacovigilância e como gestor global de ensaios clínicos. Após a sua passagem pela J&J, deixou o setor farmacêutico para ingressar no meio académico, tornando-se professor de saúde pública global e epidemiologia. Fez parte de um Comité de Ética em Investigação (IRB) para ensaios clínicos relacionados com o VIH durante muitos anos. Atualmente, está a desenvolver cursos sobre ensaios clínicos e fundou o Conselho Árabe para a Investigação Clínica.
Como é que tudo começou?
Quando o Dr. Danawi chegou aos Estados Unidos há 27 anos e solicitou a sua carta de condução, teve de indicar a sua raça como «branca». Isto não reflete a origem genética das pessoas do Médio Oriente. A ausência de uma forma de indicar a raça de uma grande parte da população americana tem um impacto concreto na representação. No entanto, estão a ser feitos progressos; em 2030, o recenseamento incluirá provavelmente uma opção para pessoas de ascendência do Médio Oriente e do Norte de África, conhecidas como pessoas «MENA».
Em abril de 2022, o Dr. Danawi reparou no crescente interesse em torno da diversidade devido à publicação das orientações da FDA. No entanto, a comunidade de investigação clínica parecia centrada em iniciativas voltadas para afro-americanos e latinos, sem qualquer referência às pessoas do Médio Oriente. Contudo, esta população existe e está a crescer. O número de imigrantes árabes está a aumentar nos Estados Unidos, e a comunidade de investigação clínica não está a aproveitar esse recurso.
Quais são os objetivos?
A missão do Conselho Árabe para a Investigação Clínica é promover a expansão e a inclusão dos árabes-americanos nos ensaios clínicos. Na comunidade árabe, o conhecimento e o acesso ao domínio dos ensaios clínicos são limitados por várias razões. Em primeiro lugar, a barreira linguística pode afetar o processo de recrutamento e seleção, por exemplo, devido à falta de formulários de consentimento informado redigidos em árabe.
Conseguir que os doentes participem em ensaios clínicos é uma coisa, mas integrar a comunidade no mercado de trabalho é outra completamente diferente. É necessário compreender melhor os requisitos de formação; as oportunidades de networking são escassas ou inexistentes, e tudo isto acaba por se tornar um círculo vicioso. Não nos esqueçamos de que a comunidade árabe enfrenta preconceitos implícitos; mesmo com um doutoramento, o Dr. Danawi teve de lidar com as consequências do preconceito nos Estados Unidos.
De que forma esta organização irá ajudar?
«No fim de contas, é ótimo conhecer as siglas e ter um diploma, mas se não conhecer pessoas do setor, é provável que não consiga arranjar um emprego na investigação clínica», afirma o Dr. Danawi.
O Conselho Árabe para a Investigação Clínica procura ajudar através da criação de ligações e redes. O Dr. Danawi tem vindo a dialogar com algumas organizações comunitárias locais de base para dar início a este processo. Esperam atrair mais médicos de língua árabe para a investigação clínica, estabelecendo assim modelos a seguir para a comunidade. Outros objetivos da organização incluem o desenvolvimento de material de recrutamento sensível às diferenças culturais, o aumento do acesso a tradutores, a angariação de fundos para bolsas de estudo para cursos de investigação clínica e a criação de grupos de defesa e apoio aos doentes.
Os objetivos a longo prazo do Dr. Danawai para a organização incluem a criação de um serviço de recrutamento de participantes árabes destinado a patrocinadores e organizações de investigação clínica (CROs). Além disso, ele espera formar um consórcio com outras organizações centradas na diversidade, a fim de promover a missão geral de criar um ambiente de ensaios clínicos mais diversificado.
O que podemos fazer enquanto membros da comunidade de investigação clínica?
O principal apelo do Dr. Danawi seria envolver as organizações comunitárias (como o Conselho Árabe para a Investigação Clínica) na conceção inicial dos ensaios clínicos, incorporando a diversidade e a inclusão desde o início. Todos podem ajudar a promover esta missão, partilhando e entrando em contacto com o Dr. Danawi para acompanhar o seu trabalho.
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